Objetivo

Chega de Acidentes! é uma ação de entidades com um histórico de lutas em prol da segurança no trânsito brasileiro. O CESVI BRASIL, a ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) e a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) lançaram esta ação propondo a implantação de um Plano Nacional de Segurança Viária (PNSV) no Brasil. Chamam, assim, atenção para o gravíssimo quadro de acidentes de trânsito, indicando o caminho que, como lembra a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), já provou ser eficiente em diversos países.

 

O contador de vítimas dos acidentes de trânsito

Esta ação inclui a implantação de um contador que estimará a quantidade de vítimas do trânsito brasileiro e é atualizado automaticamente a partir dos dados disponibilizados mais recentes. O contador também estimará o conseqüente impacto econômico dos acidentes. Para saber a metodologia do cálculo do contador, clique aqui.

A contagem teve início em 18 de setembro de 2009, data do nascimento do movimento, e só vai parar quando um Plano Nacional de Segurança Viária for implantado no País.

A ação também inclui a possibilidade de expressar o apoio a essa campanha. Para saber como participar, clique aqui.

 

Entenda os motivos do movimento

Urgência no combate à violência do trânsito
O motivo de fazer esta campanha por um plano nacional é que, como uma grande diversidade de fatores influi na ocorrência dos acidentes, o caminho depende de uma ação coordenada que leve em conta essa complexidade. Algo que só um Plano Nacional de Segurança Viária, feito com a participação e apoio de órgãos públicos e a sociedade em geral, podem proporcionar.

A gravidade do problema exige uma ação à altura. Segundo a OMS, cerca de 1,2 milhão de pessoas morrem todos os anos por causa da violência do trânsito, enquanto entre 20 e 50 milhões ficam feridos.

Em seu Relatório Global da Situação sobre Segurança Viária, de 2009, a OMS ainda informa que, se continuarem nesse ritmo, as fatalidades passarão do 9º lugar (2004) para o 5º lugar (2030), entre os maiores fatores de mortalidade no mundo, alcançando cerca de 2,4 milhões de mortos ao ano.

Esse quadro será devido, principalmente, ao crescimento dos acidentes em países em desenvolvimento, como a Índia, a China e o Brasil, e nos países pobres. Importante notar que na faixa etária de 15 a 29 anos, os acidentes no trânsito já são a primeira causa de fatalidades no mundo, à frente da AIDS, tuberculose e da violência.

Classificação Principal Causa %
1 Isquemia cardíaca 12,2
2 Doença cerebrovascular 9,7
3 Infecções respiratórias baixas 7,0
4 Doença pulmonar
obstrutiva crônica
5,1
5 Doenças Diarréicas 3,6
6 HIV/AIDS 3,5
7 Tuberculose 2,5
8 Câncer de pulmão,
brônquios, traquéia
2,3
9 Ferimentos por acidente de trânsito 2,2
10 Prematuridade e
baixo peso ao nascer
2,0
11 Infecções neonatais e outras 1,9
12 Diabetes Melito 1,9
13 Malária 1,7
14 Doença cardíaca hipertensiva 1,7
15 Asfixia neonatal
e trauma neonatal
1,5
16 Ferimentos auto-infligidos 1,4
17 Câncer de estômago 1,4
18 Cirrose hepática 1,3
19 Nefrite e nefrose 1,3
20 Câncer de cólon e reto 1,1
 
Classificação Principal Causa %
1 Isquemia cardíaca 12,2
2 Doença cerebrovascular 9,7
3 Doença pulmonar
obstrutiva crônica
7,0
4 Infecções respiratórias baixas 5,1
5 Ferimentos por acidente de trânsito 3,6
6 Câncer de pulmão,
brônquios, traquéia
3,5
7 Diabetes Melito 2,5
8 Doença cardíaca hipertensiva 2,3
9 Câncer de estômago 2,2
10 HIV/AIDS 2,0
11 Nefrite e nefrose 1,9
12 Ferimentos auto-infligidos 1,9
13 Câncer de fígado 1,7
14 Câncer de cólon e reto 1,7
15 Câncer de esôfago 1,5
16 Violência 1,4
17 Alzheimer e outras demências 1,4
18 Cirrose hepática 1,3
19 Câncer de mama 1,3
20 Tuberculose 1,1


Runk 0 - 4 anos 5- 14 anos 15 - 29 anos 30 - 44 anos 45 - 69 anos 70 + anos Total
1 Causas perinatais Infecções respiratórias baixas Ferimentos por acidente de trânsito HIV/AIDS Isquemia cardíaca Isquemia cardíaca Isquemia cardíaca
2 Infecções respiratórias baixas Ferimentos por acidente de trânsito HIV/AIDS Tuberculose Doença cerebro-vascular Doença cerebro-vascular Doença cerebro-vascular
3 Doenças Diarréicas Malária Tuberculose Ferimentos por acidente de trânsito HIV/AIDS Doença pulmonar obstrutiva crônica Infecções respiratórias baixas
4 Malária Afogamento Violência Isquemia cardíaca Tuberculose Infecções respiratórias baixas Causas perinatais
5 Sarampo Meningite Ferimentos auto-infligidos Ferimentos auto-infligidos Doença pulmonar obstrutiva crônica Câncer de pulmão,
brônquios, traquéia
Doença pulmonar obstrutiva crônica
6 Anomalias congênitas Doenças Diarréicas Infecções respiratórias baixas Violência Câncer de pulmão,
brônquios, traquéia
Doenças Diarréicas Doenças Diarréicas
7 HIV/AIDS HIV/AIDS Afogamento Infecções respiratórias baixas Cirrose
hepática
Doença cardíaca hipertensiva HIV/AIDS
8 Coqueluche Tuberculose Incêndio Doença cerebrovascular Ferimentos por acidente de trânsito Câncer de estômago Tuberculose
9 Meningite Desnutrição protéico-energética Guerra e combate Cirrose
hepática
Infecções respiratórias baixas Câncer de cólon e reto Câncer de pulmão,
brônquios, traquéia
10 Tétano Incêndio Hemorragia materna Envenena-
mento
Diabetes melito Nefrite e nefrose Ferimentos por acidente de trânsito
11 Desnutrição protéico-energética Sarampo Isquemia cardíaca Hemorragia materna Ferimentos auto-infligidos Nefrite e nefrose Diabetes melito
12 Sífilis Leucemia Envenenamento Incêndio Câncer de estômago Tuberculose Malária
13 Afogamento Anomalias congênitas Aborto Nefrite e nefrose Câncer de fígado Câncer de fígado Doença cardíaca hipertensiva
14 Ferimentos por acidente de trânsito Tripanossomíase Leucemia Afogamento Câncer de mama Câncer de esôfago Ferimentos auto-infligidos
15 Incêndio Quedas Doença cerebrovascular Câncer de mama Doença cardíaca hipertensiva Cirrose
hepática
Câncer de estômago
16 Tuberculose Epilepsia Doenças Diarréicas Guerra e combate Nefrite e nefrose Doenças cardíacas inflamatórias Cirrose
hepática
17 Doenças endócrinas Leishmaniose Quedas Quedas Câncer de esôfago Câncer de mama Nefrite e nefrose
18 Infecção respiratória superior Violência Meningite Doenças Diarréicas Câncer de cólon e reto Câncer de próstata Câncer de cólon e reto
19 Anemia por deficiência de ferro Guerra e combate Nefrite e nefrose Câncer de fígado Envenenamento Quedas Câncer de fígado
20 Epilepsia Envenenamento Malária Câncer de pulmão,
brônquios, traquéia
Câncer de boca e orofaringe Ferimentos por acidente de trânsito Violência

 

No Brasil, no ano de 2007, morreram 37.407 pessoas e 118.511 foram feridas e internadas, em decorrência de acidentes de trânsito, conforme dados do Ministério da Saúde. As últimas estatísticas apresentadas pelo DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) indicavam que o número de feridos não fatais no trânsito brasileiro alcança entre 400 mil e 500 mil feridos ao ano. O país ocupa hoje a 5ª posição mundial em quantidade absoluta de fatalidades no trânsito, depois da Índia, China, Estados Unidos e Rússia, e à frente do Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito.

Essas fatalidades têm aumentado nos últimos anos, como pode ser visto no gráfico abaixo:


Levando informações à sociedade
Essa falta de dados no País sobre acidentes e vítimas de trânsito lembra que uma das tarefas para elaboração de um plano será a formação de uma base estatística confiável, atualizada, e com um conjunto mínimo de dados que sirvam de base para o planejamento, elaboração, implantação e avaliação de medidas de prevenção de acidentes.

O plano deverá conter metas e prazos de redução de fatalidades, dentre outros indicadores. Também deverá ser coordenado por um órgão dedicado à tarefa, com estrutura, equipe e dotação orçamentária adequadas, além de mecanismos que facilitem o envolvimento e a participação da sociedade.

Resolução prevê implantação do Plano
A implantação de um plano já é prevista no Código de Trânsito Brasileiro – CTB, por meio de dois instrumentos: a Política Nacional de Trânsito e o Programa Nacional de Trânsito.

A política que contém as diretrizes visando à segurança, à fluidez, ao conforto, à defesa ambiental e à educação para o trânsito foi estabelecida pela resolução CONTRAN n.º 166/04. Entretanto, o programa, por sua vez, não foi elaborado. Ou seja, ainda não foram definidas ações coordenadas, com divulgação de estatísticas confiáveis, metas e prazos de redução de vítimas e acidentes.
Com esta ação, as entidades aqui reunidas reafirmam seu compromisso de contribuir com o aperfeiçoamento da segurança viária no País.

Por um Plano Nacional de Segurança Viária!

 
         
     
   
  Metodologia no cálculo dos contadores
Os contadores estimam as quantidades de vítimas fatais e internações utilizando, neste período inicial de lançamento (18/09/09), dados de mortalidade e morbidade (feridos internados) decorrentes de acidentes de transporte terrestre, do Ministério da Saúde, para o ano de 2007.

Já o impacto econômico dos acidentes e vítimas é estimado a partir dos valores desse impacto divulgado nos estudos do IPEA/ DENATRAN/ ANTP sobre os acidentes em aglomerações urbanas (de 2003) e em rodovias (2006). Para esse contador, os valores divulgados nos referidos estudos foram atualizados para reais (R$) de agosto de 2009, a partir da inflação acumulada segundo o índice IPCA/ IBGE.

Na medida que forem divulgadas estatísticas mais atuais sobre esses parâmetros, faremos a atualização de nossas fórmulas de cálculos.